.....setembro de 2007..................................................................
UM BAIRRO EM TRANSFORMAÇÃO


Vila Assunção, em Santo André, ganha rede
de serviços que reforça ocupação residencial


KAUÊ REZENDE

Loteada a partir da década de 1920, a Vila Assunção mantém características de bairro residencial, mas uma rede de serviços a torna local em frequente transformação. A história de Santo André passa pela Vila Assunção, que mantém espaços quase centenários, como a Igreja Matriz, oficialmente inaugurada em 1914 mas que surgiu de uma capela construída em 1909, ou o Centro Hospitalar de Santo André, inaugurado em 1912 como Santa Casa de Misericórdia, ou o Cemitério da Saudade, de 1909. O bairro carrega as marcas de história construída por brasileiros de diversos pontos do País, atraídos pelo desenvolvimento industrial do Grande ABC a partir da década de 1950 e por italianos, japoneses, portugueses e alemães que criaram estabelecimentos comerciais.

A Vila Assunção tem aproximadamente 12,8 mil habitantes espalhados por 73 ruas que comportam 3.396 residências, 512 estabelecimentos comerciais, 110 prestadores de serviços e 70 indústrias. O bairro tem 8.311 habitantes por quilômetro quadrado e apresenta crescimento habitacional que se contrapõe ao Centro. Enquanto a Prefeitura realiza amplo trabalho para que o Centro volte a ser ocupado, a Vila Assunção mostra expansão com a chegada de condomínios residenciais e comércio diversificado.

A Vila Assunção e seus arredores têm espaços que são referência. Casos de Hospital e Maternidade Brasil, Shopping ABC, Parque Central, UniA, Hospital e Maternidade Dr. Christovão da Gama, Colégio Adventista, Padaria Brasileira, Sabina Escola Parque do Conhecimento, Hospital Estadual Mário Covas e Restaurante São João.

A história mostra um bairro que se adapta às mudanças cotidianas de uma cidade do porte de Santo André. A transformação o deixa como área ainda predominantemente residencial, mas com área comercial que aparece como extensão do Centro. Para a arquiteta Cláudia Virgínia Cabral de Souza, coordenadora do Plano Diretor da Prefeitura de Santo André, a Vila Assunção é espaço extremamente agradável para se morar.

"A Vila Assunção mantém pólos de serviços que funcionam como chamariz. Os hospitais, por exemplo, propiciam expansão de rede de clínicas, laboratórios e restaurantes que aumentam a circulação, assim como o campus da UniA, mas sempre mantendo o padrão de bairro prestigiado para se morar" -- explica Cláudia Virgínia.

Na avaliação da arquiteta, a Vila Assunção ainda tem espaço para crescer na zona residencial sem perder o charme de local tradicional e tranquilo. "O bairro está sendo verticalizado com a construção de condomínios residenciais. A procura por moradias aumenta porque as pessoas encontram um centro comercial bem desenvolvido e auto-sustentável, com importantes espaços de compra e lazer" -- afirma Cláudia Virgínia.

A rede de serviços da Vila Assunção encontra fortes pilares na rede hospitalar e em pequenos comércios. A Padaria Brasileira é ícone local e regional. Criada na década de 1920, a Padaria Brasileira não só virou referência em panificação e confeitaria como expandiu negócios e hoje tem quatro unidades e mais de 300 funcionários.

Comprada em 1953 pelo casal português Abel Assunção Afonso e Maria Cândida Afonso, a Padaria Brasileira é administrada pela terceira geração da família. Jorge Alberto Gennari, 53 anos, um dos proprietários, conta que a compra aconteceu por teimosia da avó Maria Cândida Afonso. "Meu avô era aventureiro e já tinha tentado a vida em vários países da Europa e da África. Quando tomou a decisão de vir para o Brasil, minha avó disse que dessa vez a família viria toda junto" -- conta Jorge Alberto Gennari.

Em 1960, os três filhos do casal começaram a gerir a empresa e em 1987 os seis netos assumiram a administração. "As histórias da padaria e da Vila Assunção se confundem. Nossa clientela vem do tempo de infância e nossa relação é quase familiar, já que conhecemos muita gente pelo nome" -- lembra Jorge Alberto Gennari.

Instalado desde 1950 na Rua Guilherme Marconi e sob a atual administração há 28 anos, o Restaurante São João é pioneiro no ramo na Vila Assunção. "Morava em São Paulo e quando vim para cá, Santo André tinha ares de cidade interiorana. O tempo passou, a Vila Assunção cresceu bastante, mas ainda mantém esse charme de bairro residencial. O restaurante continua sendo ponto de referência e, como nos bons tempos, ainda é frequentado pelo prefeito e os principais políticos da cidade" -- lembra Luis Caldas Fernandes, 64 anos, um dos três sócios.

A quantidade de hospitais e clínicas no entorno do restaurante -- o Hospital e Maternidade Dr. Christovão da Gama fica ao lado -- ajudou os proprietários a superar tempos difíceis. "Passamos por diversos pacotes políticos e muita variação na economia do País, mas graças à clientela que passou a tradição de frequentar o São João de pai para filho e agora para os netos, estamos firmes e fortes oferecendo alimentação com a mesma qualidade de sempre" -- destaca Luis Caldas Fernandes.

Um ponto tradicional do bairro, há 30 anos no mesmo local, com tradição familiar de mais de 60 anos, é o Bazar Rossini, loja de linhas e agulhas de tricô e crochê na Avenida João Ramalho. O primeiro dono, José Pandolfo, 80 anos, é a própria história da Vila Assunção. Mas hoje o Bazar Rossini é administrado pelos filhos Francisco Carmine Pandolfo, 43 anos, e Ângela Matilde Pandolfo, 41.

O bazar é conhecido pelas oito aulas semanais que oferece de tricô e crochê e pelo tratamento familiar. "Acho que vivemos momento em que progredimos sem perder o charme da Vila Assunção. As pessoas ainda se cumprimentam pelo nome, ainda falam no nome da família que mora em tal lugar, mas temos a cada dia mais opções de comércio e serviços. Nossa família faz parte desse bairro e é bom ver que há progresso sem que se esqueça da tradição" -- afirma Francisco Pandolfo.

O comerciante encontra justamente em seu pai, José Pandolfo, acervo respeitável. José Pandolfo é parte viva da história dos imigrantes italianos na Vila Assunção. Cita fatos históricos de quem viu o bairro crescer. A Coronel Agenor de Camargo era conhecida como a rua dos napolitanos porque a maioria dos italianos morava ali. "Desde 1900 meu sogro tinha uma cantina na Rua Agenor de Camargo e a influência dele era tanta na sociedade da época que a primeira missa do bairro foi rezada na casa dele. Depois ele e os demais italianos ajudaram a construir a igreja" -- conta José Pandolfo.

O comerciante lembra ainda da festa que os italianos faziam para Nossa Senhora do Carmo ou Madona do Carmo, como chamavam. "Era tão famosa que os italianos de São Paulo fretavam vagões de trem só para vir a Santo André. Com a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, o governo brasileiro proibiu os italianos de se reunirem" -- lamenta.

José Pandolfo lembra ainda que seus familiares ajudaram a fundar o Corinthians Futebol Clube de Santo André em 1912 e estimularam o comércio no bairro. "A cidade cresceu muito. A construção da Perimetral (Avenida Coronel Alfredo Fláquer) trouxe o progresso do Centro para o lado de cima. Há 40 anos quem dissesse que abriria um comércio na Vila Assunção seria chamado de louco. Hoje não se acha um bom ponto comercial para se instalar" -- diz.

A Vila Assunção também mantém estabelecimentos comerciais com características portuguesas. Além dos europeus, quem também ajuda a contar a história são os japoneses, que há 54 anos mantêm na Rua Santo André a Sociedade Cultural ABC -- Bunka Kyokai para os nipônicos. Com cursos de artes marciais e atividades recreativas e culturais, a sociedade abre portas à tradição japonesa. Em julho, o grupo organizou a terceira edição da Tanabata Matsuri, Festival das Estrelas, festa com comidas típicas, exposição cultural e apresentações artísticas da cultura japonesa na Praça Presidente Vargas, em frente à Igreja Matriz. Fundador e diretor da Sociedade Cultural ABC, Eiki Kurokawa, 70 anos, conta que a diretoria da sociedade quer manter a tradição japonesa.

Uma cultura que se perdeu com o tempo na vila foi a dos alemães. O Clube dos Alemães deu lugar a sobrados na Travessa 12 de Outubro. Outro espaço recreativo que se foi com as mudanças é o Clube do Xadrez, sociedade que começou em 1928. Amantes de xadrez e de alguns jogos de cartas se reuniam na Rua Coronel Oliveira Lima. Com o tempo, passaram a frequentar a casa de um deles. O número cresceu tanto que o grupo resolveu comprar a casa e transformá-la em clube. Há quatro anos abriga o Espaço Europa, administrado por empresa de eventos.

"Quando assumimos a administração, o espaço já estava fechado havia sete anos e bastante deteriorado. Sabemos que foi um clube muito bem frequentado pela população de classe média-alta da cidade e um dos únicos desse porte na região. Hoje, queremos manter um espaço com serviço de qualidade para palestras, festas e eventos em geral" -- explica Gladstone Freire Junior, proprietário do Espaço Europa.

O Corinthians Futebol Clube de Santo André abriu as portas em 1912 e se mantém com 12 mil metros quadrados na Rua Sete de Setembro. Com mais de 1,1 mil sócios, o clube faz parte da história por ter sido o local em que Pelé marcou o primeiro gol, em partida amistosa entre o Corinthians de Santo André e o Santos, em 7 de setembro de 1957.

O Corinthinha, como é chamado, mantém tradicionais bailes às terças e quintas-feiras, sábados e domingos, além de atividades esportivas, sauna e restaurante panorâmico. "Não temos mais equipe competitiva, mas o espaço é referência no bairro com atividades esportivas e recreativas" -- conta Antônio Wagner Bergamo, 58 anos, diretor de patrimônio.

Hospital e Maternidade Dr. Christovão da Gama, Hospital e Maternidade Brasil e Casa da Esperança são responsáveis pela instalação de série de clínicas, consultórios e laboratórios. Inaugurado em setembro de 1954 pelo médico Celso Gama, recém-chegado à cidade, o Hospital e Maternidade Dr. Christovão da Gama começou com apenas 40 leitos em prédio alugado que abrigou uma farmácia decadente. O hospital se expandiu pelas ruas próximas e hoje conta com mais de mil funcionários em oito prédios.

"A Vila Assunção nos acolheu de braços abertos. Na década de 1950, a distância dos outros hospitais dificultava o atendimento clínico da comunidade. Havia necessidade de trazer para perto os cuidados com a saúde. Como o destino ajudou o doutor Celso Gama, pudemos ver o bairro crescer e ter identidade própria" -- conta Jaime Koiffman, presidente do Conselho de Administração do Hospital e Maternidade Dr. Christovão da Gama.

Fundada também em 1954 pelo Rotary Club, a Casa da Esperança tornou-se pioneira nas campanhas de vacinação na região. Em fevereiro de 1967, inaugurou sede própria e ampliou serviços. Hoje, tem 120 funcionários, 60 médicos e 40 prestadores de serviço.

O Hospital e Maternidade Brasil iniciou atividades em Santo André em 1970 fundado por um grupo de 10 médicos-empreendedores. Desde então, ampliou atividades e, em 1996, um novo prédio com mais de 10,5 mil metros quadrados de área construída, distribuídos em sete andares, transformou o hospital em referencial de atendimento.

A administração pública é marcada por grandes espaços, como o Centro Hospitalar de Santo André, principal hospital municipal, na Avenida João Ramalho; o Parque Antônio Fláquer e o Parque Central que, desde fevereiro, conta com a Sabina Escola Parque do Conhecimento. O Parque Central tem mais de 40 mil metros quadrados de área gramada, além de pista para caminhada, ciclovia, quadras poliesportivas e amplo espaço arborizado, além de um palco de shows musicais.

Ainda na área do Parque Central, a Sabina Escola Parque do Conhecimento, oficialmente no Bairro Paraíso, com entrada pela Rua Juquiá, é responsável por parte das visitas à Vila Assunção. Construído em área de 24 mil metros quadrados, dos quais 8,2 mil ocupados por amplo complexo arquitetônico, a Sabina é grande laboratório de informações sobre ciência, arte e tecnologia. Referência de lazer também é o Parque Antônio Fláquer, na Rua Coronel Seabra, uma área densamente arborizada com agradável espaço para caminhada e equipamentos para ginástica.

A Vila Assunção não tem nenhuma escola municipal, mas duas unidades estaduais atendem mais de 1,4 mil alunos de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além dos espaços públicos e da UniA, a Vila Assunção reúne outros estabelecimentos, casos dos colégios Adventista, UniA, Nobilis e Caminhar.

Outro espaço público quase centenário na Vila Assunção é o Cemitério da Saudade, inaugurado em junho de 1909. Localizado na Avenida da Saudade, ocupa área de 22 mil metros quadrados e tem mais de 3,6 mil jazigos. Estão sepultados ali o Padre Luiz Capra, um dos fundadores da Igreja Matriz, e o prefeito Celso Daniel, entre tantas outras personalidades. Os dois largos que marcam confluências no interior da Vila Assunção são pontos de destaque. Ligadas entre si pela Avenida Doutor Antônio Álvaro, as praças Assunção e Almeida Junior foram abertas quando do loteamento do bairro, na década de 1920. A praça Assunção mantém um cruzeiro de pedra que homenageia a declaração de Independência do Brasil.

Outros pontos que ajudam a contar a história do bairro são a Igreja Matriz, a Vila Mansueto Cecchi e as residências construídas pela Tecelagem Ipiranguinha nas ruas do Sol e Estrela. Localizada oficialmente na Rua Santo André, a Igreja Matriz tem entrada principal voltada para a Praça Presidente Vargas. A Vila Mansueto Cecchi foi construída na década de 1950 pelo comendador Mansueto Cecchi. Formado por sobrados geminados, mantém-se como pequena vila só de residências. São 57 casas, a maioria descaracterizada pelos proprietários.

A Tecelagem Ipiranguinha, considerada primeira indústria de Santo André, faz parte da história industrial da Vila Assunção. Em 1912, a Ipiranguinha adquiriu grande área de terreno próxima à indústria para construção de casas aos operários. As construções se espalharam pelas ruas do Sol, Estrela, Enrico Fermi e Marquês de Santos. A partir de 1955 os imóveis foram vendidos, mas alguns mantêm a característica original.

A história industrial da Vila Assunção perdeu força. A maior empresa instalada no bairro é o Lanifício Santo Amaro, desde 1967 na Rua Coronel Fernando Prestes. A empresa empregava cerca de 900 pessoas e hoje tem cerca de 220 funcionários, 80% de mulheres, mais fáceis de serem capacitadas, segundo o gerente Luciano Correia Filho. "Existe grande especulação imobiliária, mas continuamos por aqui" -- conta.

Uma série de novos empreendimentos toma conta da Vila Assunção. O mais imponente são dois campi da UniA (Centro Universitário de Santo André), instalados a partir de 2000. Um estabelecimento que se beneficia com a chegada da UniA e seus milhares de alunos é a Sonho d'Abelha Doçaria, há cinco anos num ponto tradicional na esquina da Avenida João Ramalho com a Rua Guilherme Marconi. É opção diferenciada de padaria e confeitaria em espaço moderno e agradável. "Este prédio abrigou uma padaria por 45 anos, depois ficou fechado por outros nove anos. O público do bairro é diferenciado e a frequência ficou muito boa com o aumento de alunos da UniA" -- conta Rubens de Carvalho, dono da Sonho d'Abelha.

Presidente da Associação dos Empreendedores da Vila Assunção, Dirceu A. Pelinzon é; dono de uma administradora de condomínios e contabilidade. Uma reivindicação não só do grupo comandado por Dirceu Pelinzon como da maioria dos comerciantes locais é uma agência bancária, além de mais segurança.

De olho na expansão imobiliária, os arquitetos Leandro e Reginaldo Zanutto finalizaram recentemente o condomínio de alto padrão Monumental Dali, na Avenida da Saudade. São apartamentos de cerca de 230 metros quadrados vendidos por R$ 550 mil. Outra unidade também está sendo construída na Rua Regente Feijó, com unidades de 130 metros quadrados e comercializadas a R$ 300 mil. "O bairro passa por renovação mas mantém ótimo padrão para residências, pois não tem a característica de badalação do Bairro Jardim, por exemplo. Além disso, oferece infra-estrutura atrativa a quem se interessar por mais sossego para morar" -- acredita Leandro Zanutto.

O crescimento da Vila Assunção é acompanhado de perto pela Prefeitura de Santo André. "O fato de o bairro ainda apresentar crescimento populacional é bom sinal de que as atividades empresariais não estão predominando, como aconteceu com o Centro. O aumento da procura por novos condomínios residenciais mostra que a tendência é convivência interessante entre a chegada de novos moradores e a rede de serviços" -- argumenta Cláudia Virgínia Cabral de Souza, coordenadora do Plano Diretor da Prefeitura.


Guilherme Marconi é
território feminino

Apesar de a Vila Assunção manter série de butiques e lojas direcionadas ao público feminino, é na rua Guilherme Marconi que as mulheres encontram espaço quase que exclusivo. Em pouco mais de 300 metros, concentram-se mais de 15 estabelecimentos de roupas, bijuterias, calçados e estética, com destaque para as recém-criadas lojas com preço único de R$ 29,99 para cada peça.

Corredor comercial e via de passagem para quem vai a São Bernardo, a Rua Guilherme Marconi sempre foi ponto tradicional da Vila Assunção, mas o crescimento fez com que as lojas atraíssem novos estabelecimentos inclusive para algumas travessas. E não pense que comerciantes consideram concorrência ruim. Pelo contrário: as donas das lojas acreditam que a transformação em corredor comercial feminino é atrativo que pode atender aos mais variados gostos e bolsos.

A Guilherme Marconi reúne desde as lojas de R$ 29,99 até roupas um pouco mais sofisticadas. As vendedoras se acostumaram a levar as novidades da temporada à casa das compradoras, tamanha a intimidade com a clientela do bairro. Em um sábado de julho, em três lojas de R$ 29,99, as peças de roupa eram disputadas por batalhão de clientes. As lojas mais requintadas não ficam atrás -- mesmo com um público diferenciado, o entra-e-sai era grande.

Para Roseli Vallesi, da Rose Calçados, na Rua Joaquim Távora, o comércio da Guilherme Marconi e suas travessas tem público suficiente para as lojas instaladas. "A Guilherme Marconi é conhecida como a rua das lojas de R$ 29,99. Não sei se essa moda perdura, mas a procura tem aumentado a frequência no bairro e a concorrência é boa sim" -- afirma.

Criadora da moda de preço único, Jamile Rodrigues Farias, dona da Mella Melon, não se incomoda mas acha que a concorrência poderia inovar. "Na nossa loja, vendemos qualquer peça a R$ 29,99, seja roupa ou bolsa, e não vejo problema em termos concorrência, mas acho que seria interessante encontrar outro tipo de produto a preço único. Mulher sempre quer comprar alguma coisa diferente, seja calçado, roupa, bijuteria, por isso acho que poderíamos ter mais opções" -- avalia.

A dona da Mella Melon diz que o preço de R$ 29,99 para cada peça foi conseguido depois da constatação de que se tratava de valor ideal para mulheres que querem comprar uma peça de roupa nova sem gastar muito. "Como temos confecção própria, conseguimos chegar a esse valor com material de boa qualidade e peças diversificadas."

Sonia Aparecida de Ornelas e três irmãs administram a Companhia de Moda há 15 anos, na Rua Guilherme Marconi. "Nossas clientes comentam que acham ótimo o bairro ter essas lojas porque assim não precisam ir a shoppings. Aqui as pessoas são atendidas com exclusividade, sempre pelas mesmas pessoas, por isso temos clientes que vêm até de São Paulo" -- diz Sonia Ornelas.

Há um ano no bairro, Alessandra Denis, dona da Maria Mariah, resolveu vender qualquer peça da loja a R$ 29,99. Diz que o movimento aumentou sensivelmente. "Acho que a rua tem público que comporta todas as lojas instaladas, mas as opções são todas para o público feminino. No geral, os moradores da Vila Assunção já não precisam sair daqui para comprar quase nada e é bom que o bairro se transforme nessa referência para o público feminino."

Depois da chegada das lojas de preço único ao bairro -- já são três que vendem qualquer peça a R$ 29,99 --, alguns estabelecimentos passaram a comercializar linhas especiais no mesmo valor, ou colocaram faixas propagando que vendem peças a partir de R$ 29,99.


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