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Vila Assunção,
em Santo André, ganha rede
de serviços que reforça
ocupação residencial
KAUÊ REZENDE
Loteada
a partir da década de 1920, a
Vila Assunção mantém
características de bairro residencial,
mas uma rede de serviços a torna
local em frequente transformação.
A história de Santo André
passa pela Vila Assunção,
que mantém espaços quase
centenários, como a Igreja Matriz,
oficialmente inaugurada em 1914 mas
que surgiu de uma capela construída
em 1909, ou o Centro Hospitalar de Santo
André, inaugurado em 1912 como
Santa Casa de Misericórdia, ou
o Cemitério da Saudade, de 1909.
O bairro carrega as marcas de história
construída por brasileiros de
diversos pontos do País, atraídos
pelo desenvolvimento industrial do Grande
ABC a partir da década de 1950
e por italianos, japoneses, portugueses
e alemães que criaram estabelecimentos
comerciais.
A
Vila Assunção tem aproximadamente
12,8 mil habitantes espalhados por 73
ruas que comportam 3.396 residências,
512 estabelecimentos comerciais, 110
prestadores de serviços e 70
indústrias. O bairro tem 8.311
habitantes por quilômetro quadrado
e apresenta crescimento habitacional
que se contrapõe ao Centro. Enquanto
a Prefeitura realiza amplo trabalho
para que o Centro volte a ser ocupado,
a Vila Assunção mostra
expansão com a chegada de condomínios
residenciais e comércio diversificado.
A
Vila Assunção e seus arredores
têm espaços que são
referência. Casos de Hospital
e Maternidade Brasil, Shopping ABC,
Parque Central, UniA, Hospital e Maternidade
Dr. Christovão da Gama, Colégio
Adventista, Padaria Brasileira, Sabina
Escola Parque do Conhecimento, Hospital
Estadual Mário Covas e Restaurante
São João.
A
história mostra um bairro que
se adapta às mudanças
cotidianas de uma cidade do porte de
Santo André. A transformação
o deixa como área ainda predominantemente
residencial, mas com área comercial
que aparece como extensão do
Centro. Para a arquiteta Cláudia
Virgínia Cabral de Souza, coordenadora
do Plano Diretor da Prefeitura de Santo
André, a Vila Assunção
é espaço extremamente
agradável para se morar.
"A
Vila Assunção mantém
pólos de serviços que
funcionam como chamariz. Os hospitais,
por exemplo, propiciam expansão
de rede de clínicas, laboratórios
e restaurantes que aumentam a circulação,
assim como o campus da UniA, mas sempre
mantendo o padrão de bairro prestigiado
para se morar" -- explica Cláudia
Virgínia.
Na
avaliação da arquiteta,
a Vila Assunção ainda
tem espaço para crescer na zona
residencial sem perder o charme de local
tradicional e tranquilo. "O bairro
está sendo verticalizado com
a construção de condomínios
residenciais. A procura por moradias
aumenta porque as pessoas encontram
um centro comercial bem desenvolvido
e auto-sustentável, com importantes
espaços de compra e lazer"
-- afirma Cláudia Virgínia.
A
rede de serviços da Vila Assunção
encontra fortes pilares na rede hospitalar
e em pequenos comércios. A Padaria
Brasileira é ícone local
e regional. Criada na década
de 1920, a Padaria Brasileira não
só virou referência em
panificação e confeitaria
como expandiu negócios e hoje
tem quatro unidades e mais de 300 funcionários.
Comprada
em 1953 pelo casal português Abel
Assunção Afonso e Maria
Cândida Afonso, a Padaria Brasileira
é administrada pela terceira
geração da família.
Jorge Alberto Gennari, 53 anos, um dos
proprietários, conta que a compra
aconteceu por teimosia da avó
Maria Cândida Afonso. "Meu
avô era aventureiro e já
tinha tentado a vida em vários
países da Europa e da África.
Quando tomou a decisão de vir
para o Brasil, minha avó disse
que dessa vez a família viria
toda junto" -- conta Jorge Alberto
Gennari.
Em
1960, os três filhos do casal
começaram a gerir a empresa e
em 1987 os seis netos assumiram a administração.
"As histórias da padaria
e da Vila Assunção se
confundem. Nossa clientela vem do tempo
de infância e nossa relação
é quase familiar, já que
conhecemos muita gente pelo nome"
-- lembra Jorge Alberto Gennari.
Instalado
desde 1950 na Rua Guilherme Marconi
e sob a atual administração
há 28 anos, o Restaurante São
João é pioneiro no ramo
na Vila Assunção. "Morava
em São Paulo e quando vim para
cá, Santo André tinha
ares de cidade interiorana. O tempo
passou, a Vila Assunção
cresceu bastante, mas ainda mantém
esse charme de bairro residencial. O
restaurante continua sendo ponto de
referência e, como nos bons tempos,
ainda é frequentado pelo prefeito
e os principais políticos da
cidade" -- lembra Luis Caldas Fernandes,
64 anos, um dos três sócios.
A
quantidade de hospitais e clínicas
no entorno do restaurante -- o Hospital
e Maternidade Dr. Christovão
da Gama fica ao lado -- ajudou os proprietários
a superar tempos difíceis. "Passamos
por diversos pacotes políticos
e muita variação na economia
do País, mas graças à
clientela que passou a tradição
de frequentar o São João
de pai para filho e agora para os netos,
estamos firmes e fortes oferecendo alimentação
com a mesma qualidade de sempre"
-- destaca Luis Caldas Fernandes.
Um
ponto tradicional do bairro, há
30 anos no mesmo local, com tradição
familiar de mais de 60 anos, é
o Bazar Rossini, loja de linhas e agulhas
de tricô e crochê na Avenida
João Ramalho. O primeiro dono,
José Pandolfo, 80 anos, é
a própria história da
Vila Assunção. Mas hoje
o Bazar Rossini é administrado
pelos filhos Francisco Carmine Pandolfo,
43 anos, e Ângela Matilde Pandolfo,
41.
O
bazar é conhecido pelas oito
aulas semanais que oferece de tricô
e crochê e pelo tratamento familiar.
"Acho que vivemos momento em que
progredimos sem perder o charme da Vila
Assunção. As pessoas ainda
se cumprimentam pelo nome, ainda falam
no nome da família que mora em
tal lugar, mas temos a cada dia mais
opções de comércio
e serviços. Nossa família
faz parte desse bairro e é bom
ver que há progresso sem que
se esqueça da tradição"
-- afirma Francisco Pandolfo.
O
comerciante encontra justamente em seu
pai, José Pandolfo, acervo respeitável.
José Pandolfo é parte
viva da história dos imigrantes
italianos na Vila Assunção.
Cita fatos históricos de quem
viu o bairro crescer. A Coronel Agenor
de Camargo era conhecida como a rua
dos napolitanos porque a maioria dos
italianos morava ali. "Desde 1900
meu sogro tinha uma cantina na Rua Agenor
de Camargo e a influência dele
era tanta na sociedade da época
que a primeira missa do bairro foi rezada
na casa dele. Depois ele e os demais
italianos ajudaram a construir a igreja"
-- conta José Pandolfo.
O
comerciante lembra ainda da festa que
os italianos faziam para Nossa Senhora
do Carmo ou Madona do Carmo, como chamavam.
"Era tão famosa que os italianos
de São Paulo fretavam vagões
de trem só para vir a Santo André.
Com a Segunda Guerra Mundial, entre
1939 e 1945, o governo brasileiro proibiu
os italianos de se reunirem" --
lamenta.
José
Pandolfo lembra ainda que seus familiares
ajudaram a fundar o Corinthians Futebol
Clube de Santo André em 1912
e estimularam o comércio no bairro.
"A cidade cresceu muito. A construção
da Perimetral (Avenida Coronel Alfredo
Fláquer) trouxe o progresso do
Centro para o lado de cima. Há
40 anos quem dissesse que abriria um
comércio na Vila Assunção
seria chamado de louco. Hoje não
se acha um bom ponto comercial para
se instalar" -- diz.
A
Vila Assunção também
mantém estabelecimentos comerciais
com características portuguesas.
Além dos europeus, quem também
ajuda a contar a história são
os japoneses, que há 54 anos
mantêm na Rua Santo André
a Sociedade Cultural ABC -- Bunka Kyokai
para os nipônicos. Com cursos
de artes marciais e atividades recreativas
e culturais, a sociedade abre portas
à tradição japonesa.
Em julho, o grupo organizou a terceira
edição da Tanabata Matsuri,
Festival das Estrelas, festa com comidas
típicas, exposição
cultural e apresentações
artísticas da cultura japonesa
na Praça Presidente Vargas, em
frente à Igreja Matriz. Fundador
e diretor da Sociedade Cultural ABC,
Eiki Kurokawa, 70 anos, conta que a
diretoria da sociedade quer manter a
tradição japonesa.
Uma
cultura que se perdeu com o tempo na
vila foi a dos alemães. O Clube
dos Alemães deu lugar a sobrados
na Travessa 12 de Outubro. Outro espaço
recreativo que se foi com as mudanças
é o Clube do Xadrez, sociedade
que começou em 1928. Amantes
de xadrez e de alguns jogos de cartas
se reuniam na Rua Coronel Oliveira Lima.
Com o tempo, passaram a frequentar a
casa de um deles. O número cresceu
tanto que o grupo resolveu comprar a
casa e transformá-la em clube.
Há quatro anos abriga o Espaço
Europa, administrado por empresa de
eventos.
"Quando
assumimos a administração,
o espaço já estava fechado
havia sete anos e bastante deteriorado.
Sabemos que foi um clube muito bem frequentado
pela população de classe
média-alta da cidade e um dos
únicos desse porte na região.
Hoje, queremos manter um espaço
com serviço de qualidade para
palestras, festas e eventos em geral"
-- explica Gladstone Freire Junior,
proprietário do Espaço
Europa.
O
Corinthians Futebol Clube de Santo André
abriu as portas em 1912 e se mantém
com 12 mil metros quadrados na Rua Sete
de Setembro. Com mais de 1,1 mil sócios,
o clube faz parte da história
por ter sido o local em que Pelé
marcou o primeiro gol, em partida amistosa
entre o Corinthians de Santo André
e o Santos, em 7 de setembro de 1957.
O
Corinthinha, como é chamado,
mantém tradicionais bailes às
terças e quintas-feiras, sábados
e domingos, além de atividades
esportivas, sauna e restaurante panorâmico.
"Não temos mais equipe competitiva,
mas o espaço é referência
no bairro com atividades esportivas
e recreativas" -- conta Antônio
Wagner Bergamo, 58 anos, diretor de
patrimônio.
Hospital
e Maternidade Dr. Christovão
da Gama, Hospital e Maternidade Brasil
e Casa da Esperança são
responsáveis pela instalação
de série de clínicas,
consultórios e laboratórios.
Inaugurado em setembro de 1954 pelo
médico Celso Gama, recém-chegado
à cidade, o Hospital e Maternidade
Dr. Christovão da Gama começou
com apenas 40 leitos em prédio
alugado que abrigou uma farmácia
decadente. O hospital se expandiu pelas
ruas próximas e hoje conta com
mais de mil funcionários em oito
prédios.
"A
Vila Assunção nos acolheu
de braços abertos. Na década
de 1950, a distância dos outros
hospitais dificultava o atendimento
clínico da comunidade. Havia
necessidade de trazer para perto os
cuidados com a saúde. Como o
destino ajudou o doutor Celso Gama,
pudemos ver o bairro crescer e ter identidade
própria" -- conta Jaime
Koiffman, presidente do Conselho de
Administração do Hospital
e Maternidade Dr. Christovão
da Gama.
Fundada
também em 1954 pelo Rotary Club,
a Casa da Esperança tornou-se
pioneira nas campanhas de vacinação
na região. Em fevereiro de 1967,
inaugurou sede própria e ampliou
serviços. Hoje, tem 120 funcionários,
60 médicos e 40 prestadores de
serviço.
O
Hospital e Maternidade Brasil iniciou
atividades em Santo André em
1970 fundado por um grupo de 10 médicos-empreendedores.
Desde então, ampliou atividades
e, em 1996, um novo prédio com
mais de 10,5 mil metros quadrados de
área construída, distribuídos
em sete andares, transformou o hospital
em referencial de atendimento.
A
administração pública
é marcada por grandes espaços,
como o Centro Hospitalar de Santo André,
principal hospital municipal, na Avenida
João Ramalho; o Parque Antônio
Fláquer e o Parque Central que,
desde fevereiro, conta com a Sabina
Escola Parque do Conhecimento. O Parque
Central tem mais de 40 mil metros quadrados
de área gramada, além
de pista para caminhada, ciclovia, quadras
poliesportivas e amplo espaço
arborizado, além de um palco
de shows musicais.
Ainda
na área do Parque Central, a
Sabina Escola Parque do Conhecimento,
oficialmente no Bairro Paraíso,
com entrada pela Rua Juquiá,
é responsável por parte
das visitas à Vila Assunção.
Construído em área de
24 mil metros quadrados, dos quais 8,2
mil ocupados por amplo complexo arquitetônico,
a Sabina é grande laboratório
de informações sobre ciência,
arte e tecnologia. Referência
de lazer também é o Parque
Antônio Fláquer, na Rua
Coronel Seabra, uma área densamente
arborizada com agradável espaço
para caminhada e equipamentos para ginástica.
A
Vila Assunção não
tem nenhuma escola municipal, mas duas
unidades estaduais atendem mais de 1,4
mil alunos de Ensino Fundamental e Ensino
Médio. Além dos espaços
públicos e da UniA, a Vila Assunção
reúne outros estabelecimentos,
casos dos colégios Adventista,
UniA, Nobilis e Caminhar.
Outro
espaço público quase centenário
na Vila Assunção é
o Cemitério da Saudade, inaugurado
em junho de 1909. Localizado na Avenida
da Saudade, ocupa área de 22
mil metros quadrados e tem mais de 3,6
mil jazigos. Estão sepultados
ali o Padre Luiz Capra, um dos fundadores
da Igreja Matriz, e o prefeito Celso
Daniel, entre tantas outras personalidades.
Os dois largos que marcam confluências
no interior da Vila Assunção
são pontos de destaque. Ligadas
entre si pela Avenida Doutor Antônio
Álvaro, as praças Assunção
e Almeida Junior foram abertas quando
do loteamento do bairro, na década
de 1920. A praça Assunção
mantém um cruzeiro de pedra que
homenageia a declaração
de Independência do Brasil.
Outros
pontos que ajudam a contar a história
do bairro são a Igreja Matriz,
a Vila Mansueto Cecchi e as residências
construídas pela Tecelagem Ipiranguinha
nas ruas do Sol e Estrela. Localizada
oficialmente na Rua Santo André,
a Igreja Matriz tem entrada principal
voltada para a Praça Presidente
Vargas. A Vila Mansueto Cecchi foi construída
na década de 1950 pelo comendador
Mansueto Cecchi. Formado por sobrados
geminados, mantém-se como pequena
vila só de residências.
São 57 casas, a maioria descaracterizada
pelos proprietários.
A
Tecelagem Ipiranguinha, considerada
primeira indústria de Santo André,
faz parte da história industrial
da Vila Assunção. Em 1912,
a Ipiranguinha adquiriu grande área
de terreno próxima à indústria
para construção de casas
aos operários. As construções
se espalharam pelas ruas do Sol, Estrela,
Enrico Fermi e Marquês de Santos.
A partir de 1955 os imóveis foram
vendidos, mas alguns mantêm a
característica original.
A
história industrial da Vila Assunção
perdeu força. A maior empresa
instalada no bairro é o Lanifício
Santo Amaro, desde 1967 na Rua Coronel
Fernando Prestes. A empresa empregava
cerca de 900 pessoas e hoje tem cerca
de 220 funcionários, 80% de mulheres,
mais fáceis de serem capacitadas,
segundo o gerente Luciano Correia Filho.
"Existe grande especulação
imobiliária, mas continuamos
por aqui" -- conta.
Uma
série de novos empreendimentos
toma conta da Vila Assunção.
O mais imponente são dois campi
da UniA (Centro Universitário
de Santo André), instalados a
partir de 2000. Um estabelecimento que
se beneficia com a chegada da UniA e
seus milhares de alunos é a Sonho
d'Abelha Doçaria, há cinco
anos num ponto tradicional na esquina
da Avenida João Ramalho com a
Rua Guilherme Marconi. É opção
diferenciada de padaria e confeitaria
em espaço moderno e agradável.
"Este prédio abrigou uma
padaria por 45 anos, depois ficou fechado
por outros nove anos. O público
do bairro é diferenciado e a
frequência ficou muito boa com
o aumento de alunos da UniA" --
conta Rubens de Carvalho, dono da Sonho
d'Abelha.
Presidente
da Associação dos Empreendedores
da Vila Assunção, Dirceu
A. Pelinzon é dono de
uma administradora de condomínios
e contabilidade. Uma reivindicação
não só do grupo comandado
por Dirceu Pelinzon como da maioria
dos comerciantes locais é uma
agência bancária, além
de mais segurança.
De
olho na expansão imobiliária,
os arquitetos Leandro e Reginaldo Zanutto
finalizaram recentemente o condomínio
de alto padrão Monumental Dali,
na Avenida da Saudade. São apartamentos
de cerca de 230 metros quadrados vendidos
por R$ 550 mil. Outra unidade também
está sendo construída
na Rua Regente Feijó, com unidades
de 130 metros quadrados e comercializadas
a R$ 300 mil. "O bairro passa por
renovação mas mantém
ótimo padrão para residências,
pois não tem a característica
de badalação do Bairro
Jardim, por exemplo. Além disso,
oferece infra-estrutura atrativa a quem
se interessar por mais sossego para
morar" -- acredita Leandro Zanutto.
O
crescimento da Vila Assunção
é acompanhado de perto pela Prefeitura
de Santo André. "O fato
de o bairro ainda apresentar crescimento
populacional é bom sinal de que
as atividades empresariais não
estão predominando, como aconteceu
com o Centro. O aumento da procura por
novos condomínios residenciais
mostra que a tendência é
convivência interessante entre
a chegada de novos moradores e a rede
de serviços" -- argumenta
Cláudia Virgínia Cabral
de Souza, coordenadora do Plano Diretor
da Prefeitura.
Guilherme Marconi é
território feminino
Apesar
de a Vila Assunção manter
série de butiques e lojas direcionadas
ao público feminino, é
na rua Guilherme Marconi que as mulheres
encontram espaço quase que exclusivo.
Em pouco mais de 300 metros, concentram-se
mais de 15 estabelecimentos de roupas,
bijuterias, calçados e estética,
com destaque para as recém-criadas
lojas com preço único
de R$ 29,99 para cada peça.
Corredor
comercial e via de passagem para quem
vai a São Bernardo, a Rua Guilherme
Marconi sempre foi ponto tradicional
da Vila Assunção, mas
o crescimento fez com que as lojas atraíssem
novos estabelecimentos inclusive para
algumas travessas. E não pense
que comerciantes consideram concorrência
ruim. Pelo contrário: as donas
das lojas acreditam que a transformação
em corredor comercial feminino é
atrativo que pode atender aos mais variados
gostos e bolsos.
A
Guilherme Marconi reúne desde
as lojas de R$ 29,99 até roupas
um pouco mais sofisticadas. As vendedoras
se acostumaram a levar as novidades
da temporada à casa das compradoras,
tamanha a intimidade com a clientela
do bairro. Em um sábado de julho,
em três lojas de R$ 29,99, as
peças de roupa eram disputadas
por batalhão de clientes. As
lojas mais requintadas não ficam
atrás -- mesmo com um público
diferenciado, o entra-e-sai era grande.
Para
Roseli Vallesi, da Rose Calçados,
na Rua Joaquim Távora, o comércio
da Guilherme Marconi e suas travessas
tem público suficiente para as
lojas instaladas. "A Guilherme
Marconi é conhecida como a rua
das lojas de R$ 29,99. Não sei
se essa moda perdura, mas a procura
tem aumentado a frequência no
bairro e a concorrência é
boa sim" -- afirma.
Criadora
da moda de preço único,
Jamile Rodrigues Farias, dona da Mella
Melon, não se incomoda mas acha
que a concorrência poderia inovar.
"Na nossa loja, vendemos qualquer
peça a R$ 29,99, seja roupa ou
bolsa, e não vejo problema em
termos concorrência, mas acho
que seria interessante encontrar outro
tipo de produto a preço único.
Mulher sempre quer comprar alguma coisa
diferente, seja calçado, roupa,
bijuteria, por isso acho que poderíamos
ter mais opções"
-- avalia.
A
dona da Mella Melon diz que o preço
de R$ 29,99 para cada peça foi
conseguido depois da constatação
de que se tratava de valor ideal para
mulheres que querem comprar uma peça
de roupa nova sem gastar muito. "Como
temos confecção própria,
conseguimos chegar a esse valor com
material de boa qualidade e peças
diversificadas."
Sonia
Aparecida de Ornelas e três irmãs
administram a Companhia de Moda há
15 anos, na Rua Guilherme Marconi. "Nossas
clientes comentam que acham ótimo
o bairro ter essas lojas porque assim
não precisam ir a shoppings.
Aqui as pessoas são atendidas
com exclusividade, sempre pelas mesmas
pessoas, por isso temos clientes que
vêm até de São Paulo"
-- diz Sonia Ornelas.
Há
um ano no bairro, Alessandra Denis,
dona da Maria Mariah, resolveu vender
qualquer peça da loja a R$ 29,99.
Diz que o movimento aumentou sensivelmente.
"Acho que a rua tem público
que comporta todas as lojas instaladas,
mas as opções são
todas para o público feminino.
No geral, os moradores da Vila Assunção
já não precisam sair daqui
para comprar quase nada e é bom
que o bairro se transforme nessa referência
para o público feminino."
Depois
da chegada das lojas de preço
único ao bairro -- já
são três que vendem qualquer
peça a R$ 29,99 --, alguns estabelecimentos
passaram a comercializar linhas especiais
no mesmo valor, ou colocaram faixas
propagando que vendem peças a
partir de R$ 29,99.
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